terça-feira, 10 de novembro de 2015

Era uma vez um menino. E era um menino desastrado. E que não sabia amarrar os atacadores. Um dia, sem querer (essas coisas acontecem muito aos meninos desastrados) estando diante de trabalhos muito lindos dos colegas, distraiu-se (também acontece sempre). Diante dos trabalhos molhados (fruto da tal distracção) imediatamente pôs-se aflito, mas nem por um segundo hesitou, chamou a Professora e contou o ocorrido. A Professora, envolta em outras preocupações e tarefas, disse-lhe que não fizesse caso, foi só um acidente. Mas, quando os colegas descobriram o trabalho assim desfeito, meio molhado, de imediato zangaram. Perguntavam-se quem poderia ter feito tamanho estrago e convocaram, com o Director de Turma, uma assembleia. Bradavam, discutiam entre si, e o menino desastrado permanecia silencioso, em um canto. O Director pediu que o autor do acontecido, se apresentasse. O menino, que não conseguia evitar a sinceridade, chamou o Director e contou o acontecido. O Director perguntou-lhe: Então ? Não chamaste um adulto ? Não avisaste a ninguém ? Naquele segundo, o menino pensou: Não posso dizer que contei a Professora e ela estava tão atarefada e ocupada que não fez caso, pois se assim o fizer, o Director vai brigar com ela. E não disse nada. Ficou em silêncio. Ouviu a repreensão, prometeu ser mais cuidadoso. Em casa, a mãe do menino desastrado levou um tempinho para entender (talvez porque seja mais desastrada que o filho - o fruto não cai longe da árvore) e matutando sozinha, pensou: Como é bom ter um menino desastrado...


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