O Beijo e a arte

(Klimt)
(Rodin)

(Canova)
(Picasso)
(Magritte)
(Fragonard)

(Giotto)
(Doisneau)
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.Sofá sem mancha?Tapete sem fio puxado?Mesa sem marca de copo?Tá na cara que é casa sem festa.E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.A que está sempre pronta pros amigos, filhos…Netos, pros vizinhos…E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.Arrume a sua casa todos os dias…Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…E reconhecer nela o seu lugar."Carlos Drummond de Andrade
Pensando em começos e fins...
Começo de Ana Karênina (Tolstoi)
Todas as famílias felizes se parecem, cada
família infeliz é infeliz à sua maneira. Tudo era confusão na casa dos
Oblónski. A esposa ficara sabendo que o marido mantinha um caso com a
ex-governanta francesa e lhe comunicara que não podia viver com ele sob o mesmo
teto. Essa situação já durava três dias e era um tormento para os cônjuges,
para todos os familiares e para os criados. Todos, familiares e criados,
achavam que não fazia sentido morarem os dois juntos e que pessoas reunidas por
acaso em qualquer hospedaria estariam mais ligadas entre si do que eles.
Fim de O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)
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A VIDA É SONHO
É certo; então reprimamos
esta fera condição, esta fúria, esta ambição, pois pode ser que sonhemos; e o faremos, pois estamos em mundo tão singular que o viver é só sonhar e a vida ao fim nos imponha que o homem que vive, sonha o que é, até despertar. Sonha o rei que é rei, e segue com esse engano mandando, resolvendo e governando. E os aplausos que recebe, Vazios, no vento escreve; e em cinzas a sua sorte a morte talha de um corte. E há quem queira reinar vendo que há de despertar no negro sonho da morte? Sonha o rico sua riqueza que trabalhos lhe oferece; sonha o pobre que padece sua miséria e pobreza; sonha o que o triunfo preza, sonha o que luta e pretende, sonha o que agrava e ofende e no mundo, em conclusão, todos sonham o que são, no entanto ninguém entende. Eu sonho que estou aqui de correntes carregado e sonhei que em outro estado mais lisonjeiro me vi. Que é a vida? Um frenesi. Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção; o maior bem é tristonho, porque toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são.
Pedro Calderón de La Barca
O trecho da peça reputa ao momento em que Segismundo, após ter vivido e desfrutado as pompas e honrarias do palácio do pai, dorme sob o efeito de uma poção. Quando desperta, está nas masmorras onde esteve toda a vida. Como príncipe herdeiro do trono, cometeu inúmeras acções condenáveis. O poder lhe corroeu. O carcereiro Clotaldo, para aliviá-lo, diz que a vida no palácio é que foi um sonho, a sua realidade era aquela. E que mesmo em sonhos, ele deveria ter sido um ser humano melhor, ao que Segismundo responde concordando no texto acima.
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