Meu filho não
quer crescer. Confessou-me outra noite, deitado ao meu lado na cama, entre um
silêncio e outro. Sem querer ser demasiado intrusiva em seus pensamentos, quis
saber o motivo de tal preocupação, recorrente em todas as fases de sua
infância. “Não quero esquecer. Tenho medo de esquecer”. Meu filho tem saudades,
mesmo não tendo a melhor das infâncias, mesmo tendo vivido entre terapias,
exames, médicos, explicações, medicamentos. Mesmo tendo sofrido com colegas
maldosos e sem coração. Meu filho expressa um porcento do que pensa. Imagino
que tais pensamentos o façam sofrer em demasia. Digo então que existem coisas
boas em crescer e me esforço ao máximo para enfileirar pelo menos umas três ou
quatro. Sei que não basta, sei que os pensamentos ficam com ele, sei que é
duro. Crescer é duro e talvez ele tenha se dado conta disso muito antes que eu
na sua idade. Resta a mim, estar ao seu lado, amando-o amando-o e amando-o.